Indumentárias

Traje gaúcho / 1865 até hoje


Bombacha e Vestido de Prenda;
A bombacha surgiu com os turcos e veio para o Brasil usada pelos pobres na Guerra do Paraguai. Até o começo do século, usar bombachas em um baile, seria um desrespeito. O gaúcho viajava à cavalo, trajando bombachas e trazia a

As bombachas são largas na Fronteira, estreitas na Serra e médias no Planalto, abotoadas no tornozelo, e quase sempre com favos de mel. A correta bombacha é a de cós largo, sem alças para a cinta e com dois bolsos grandes nas laterais, de cores claras para ocasiões festivas, sóbrias e escuras para viagens ou trabalho.

À cintura o fronteirista usa faixa; o serrano e planaltense dispensam a mesma e a guaiaca da Fronteira é diferente da serrana, por esta ser geralmente peluda e com coldre inteiriço.

A camisa é de um pano só, no máximo de pano riscado. Em ambiente de maior respeito usa-se o colete, a blusa campeira ou o casaco.

O lenço do pescoço é atado por um nó de oito maneiras diferentes e as cores branco e vermelho são as mais tradicionais.

Usa-se mais freqüentemente o chapéu de copa baixa e abas largas, podendo variar com o gosto individual do usuário, evitando sempre enfeites indiscretos no barbicacho.

Por convenção social o peão não usa chapéu em locais cobertos, como por exemplo no interior de um galpão.

As esporas mais utilizadas são as “chilenas”, destacando-se ainda as “nazarenas”. Botas, de sapataria preferencialmente pretas ou marrons.

Para proteger-se da chuva e do frio usa-se o poncho ou a capa campeira e do calor o poncho-pala. Cita-se ainda o bichará como proteção contra o frio do inverno. Obs.: O preto é somente usado em sinal de luto.

O tirador deve ser simples, sem enfeites, curtos e com flecos compridos na Serra, de pontas arredondadas no Planalto, comprido com ou sem flecos na Campanha e de bordas retas com flecos de meio palmo na Fronteira.

É vedado o uso de bombacha com túnica tipo militar, bem como chiripás por prendas por ser um traje masculino.

A indumentária da prenda é regulamentada por uma tese de autoria de Luiz Celso Gomes Yarup, que foi aprovada no 34º. Congresso Tradicionalista Gaúcho, em Caçapava do Sul.

01 – O vestido deverá ser, preferencialmente, de uma peça, com barra da saia no peito do pé;
02 – A quantidade de passa-fitas, apliques, babados e rendas é livre;
03 – O vestido pode ser de tecido estampado ou liso, sendo facultado o uso de tecidos sintéticos com estamparia miúda ou “petit-pois”;
04 – Vedado o decote;
05 – Saia de armar: quantidade livre (sem exageros);
06 – Obrigatório o uso de bombachinhas, rendadas ou não, cujo comprimento deverá atingir a altura do joelho;
07 – Mangas até os cotovelos, três quartos ou até os pulsos;
08 – Facultativo o uso de lenço com pontas cruzadas sobre o peito, também facultado o uso do fichu de seda com franjas ou de crochê, preso com broche ou camafeu, ou ainda do chalé;
09 – Meias longas brancas ou coloridas, não transparentes;
10 – Sapato com salto 5 (cinco), ou meio salto, que abotoe do lado de fora, por uma tira que passa sobre o peito do pé;
11 – Cabelo solto ou em trança (única ou dupla), com flores ou fitas;
12 – Facultado o uso de brincos de argola de metal. Vedados os de fantasia ou de plásticos;
13 – Vedado o uso de colares;
14 – Permitido o uso de pulseiras de aro de qualquer metal. Não aceitas as pulseiras de plástico;
15 – Permitido o uso de um anel de metal em cada mão. Vedados os de fantasia;
16 – É permitido o uso discreto de maquiagem facial, sem batons roxos, sombras coloridas, delineadores em demasia;
17 – Vedado o uso de relógios de pulso e de luvas;
18 – Livre a criação dos vestidos, quanto a cores, padrões e silhuetas, dentro dos parâmetros acima enumerados.

Fonte: Indumentária Gaúcha
Antônio Augusto Fagundes, Martins Livreiro Editor
(2ª Edição) – Porto Alegre – 1985
Figuras: Gaúcho – Vestuário Tradicional e Costumes
Véra Stedile Zattera – Gov. do Estado do Rio Grande do Sul – 1995